05/08/2013

Acordo Agnelo-Filippelli continua

Reza o dito popular de que “passarinho quando muda as penas não pia ou canta”. Esta talvez seja a definição mais adequada para definir como se encontra os políticos nessa quadra de acontecimentos Brasil afora. No Distrito Federal então, todos estão pisando com cautela, parecendo bailarinas: flutuando com leveza ao ritmo da música. Isso para o público externo, principalmente o eleitor, este cidadão que anda calado, só observando os pássaros para ver quem vai emitir o melhor piar ou cantar.

Conversamos com um dos marqueteiros mais atentos à política de Brasília. Pedindo anonimato por conta de ter clientes no governo federal, ele fez algumas ponderações sob o momento político e possíveis cenários para 2014. Ressaltou, porém, que o comportamento do governo federal e local em lidar com as manifestações de rua e a inflação terá peso considerável nessa equação.

Tomando como ponto de partida as observações feitas no parágrafo acima, onde nenhum político tradicional ou novato no ofício quer emitir opinião sobre o que pensa os cidadãos, o marqueteiro acredita que a maioria busca o novo, principalmente a classe média, mas também teme o que “esse novo pode fazer”. Para ele, o quadro embora esteja confuso principalmente para os agentes políticos, a percepção é que o maior peso na próxima disputa eleitoral será quem tiver as “mãos limpas”. Ou seja, que não se envolveu em denúncias por corrupção ou incompetência administrativa. E mais: cada estrato social vai buscar no candidato, quer no executivo ou legislativo, valores que mais se aproximam de seus interesses, tanto individual como coletivo. Este será o grande desafio aos pretendentes ao poder público.

Quanto ao quadro da reeleição do governador Agnelo Queiroz (PT), o marqueteiro disse o que a maioria dos formadores de opinião repete: continua sendo o favorito, pois tem a máquina pública nas mãos e a condescendência dos órgãos fiscalizadores da gestão pública. De fato, as pessoas comuns sempre fazem esta pergunta: “Onde está o Ministério Público, Receita Federal, Tribunal de Contas e tantos outros fiscais do dinheiro público que não apuram com rigor, denúncias contra o governo de Agnelo Queiroz?” Este talvez seja um dos principais motivos porque a gestão do petista patina em altos índices de rejeição. Como se explica ter um volume de obras acima da média dos governos estaduais e continuar em baixa? “Falta ao governador Agnelo focar sua publicidade em realizações de relevância para a população. A saúde é um exemplo. Não é a pior do país, mas passa para opinião pública como se fosse. E para complicar, denúncias de supostas irregularidades no setor não são veementemente contestadas e esclarecidas. Isto deixa muitas interrogações no ar.

Outro ponto fraco de Agnelo são os aliados, principalmente o PT. Dividido em correntes, cada uma defendendo seus interesses e ninguém preocupado com a gestão, deixa o governador vulnerável sob os olhares da opinião pública. Isto ficou claro para Agnelo ao perceber que estava caindo numa armadilha de seus “companheiros” quando, no final do ano passado, começaram a discutir o cenário de 2014. Nele, o vice-governador e presidente do PMDB, Tadeu Filippelli, estaria descartado.

A confiança dos petistas, somada à vaidade e arrogância pelos altos índices de aprovação da presidente Dilma Rousseff, antevia vitória fácil do petismo e por isso, poderiam impor regras para coligação. Veio o grito das ruas e com ele, a realidade de que o jogo não estava ganho. Novamente Agnelo buscou a experiência política do monge beneditino. Passou a ouvir mais Filippelli e menos o serpentário do PT brasiliense. “Esta eterna briga entre as correntes do PT só tem prejudicado o governador Agnelo Queiroz e seu leque de alianças partidárias”, analisa o publicitário ouvido pelo portal. Para ele, agora, “estas brigas entre correntes do PT não afeta mais o acordo da aliança entre Agnelo e Filippelli”.

Prevalecendo a desunião das oposições, tudo leva a crer que a dobradinha Agnelo-Filippelli novamente vai conquistar a cadeira do Palácio do Buriti. Mesmo estando sob fogo cerrado dos amigos petistas e aliados de ocasião, Agnelo, tal qual biruta de aeroporto, vai capturando o vento e sinalizando para a opinião pública que está no rumo certo. “Este talvez seja o motivo pelo qual o vice-governador Tadeu Filippelli tenha estacionado, por enquanto, seu projeto solo. Ele também vai aguardar o desenrolar dos acontecimentos no plano federal.” Aliados de Filippelli na executiva nacional, incluindo o vice-presidente da República, Mi­chel Temer, vê no ‘monge beneditino’ um potencial candidato a governador no DF. Portanto, caso o PT brasiliense rom­pa o acordo e troque Filippelli por outro nome, anotem: ele será can­didato ao Palácio do Buriti em 2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MAIS NOTÍCIAS