02/09/2013

Denúncias de espionagem americana contra presidente Dilma sacodem o Brasil

Esse assunto foi discutido na visita do secretário de Estado americano, após o Brasil considerar que as explicações não eram satisfatórias

As novas denúncias de espionagem americana que envolveriam a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e o mexicano, Enrique Peña Nieto, sacudiram o Brasil nesta segunda-feira (2/9).

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores para explicar os fatos revelados no programa Fantástico da TV Globo na noite de domingo, informou um porta-voz da Chancelaria à AFP.

A presidente Dilma convocou uma reunião com vários ministros, incluindo o da Defesa, Celso Amorim, o das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e o da Justiça, José Eduardo Cardozo, para debater o tema, considerado "inaceitável" por Cardozo.

"Estamos em uma situação de emergência devido a essas denúncias de espionagem", indicou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, pouco antes da reunião, citado pelo jornal O Estado de São Paulo.

As denúncias fazem referência a um documento atribuído à Agência Nacional de Segurança (NSA na sigla em inglês), segundo o qual comunicações da presidente Dilma Rousseff foram monitoradas, assim como as do mexicano Enrique Peña Nieto, então candidato à presidência.

Caso as informações sejam confirmadas, seria uma situação "inaceitável", disse o ministro da Justiça do Brasil, José Eduardo Cardozo.


A reportagem contou com a colaboração do jornalista Glen Greenwald, do jornal britânico The Guardian, que divulgou os documentos do ex-técnico de informático Edward Snowden, procurado pelos Estados Unidos.

Greenwald vive no Rio de Janeiro e se reuniu com Snowden em junho em Hong Kong. Procurada pela AFP, a embaixada americana não quis comentar a convocação do embaixador em Brasília.

Um porta-voz da Presidência mexicana consultado pela AFP também indicou que não comentará o caso no momento. Dilma fará uma visita de Estado a Washington em outubro.

A presidente, Peña Nieto e Barack Obama são esperados na cúpula do G20, que reunirá as maiores nações industrializadas e emergentes no final desta semana em São Petersburgo, na Rússia.

O governo brasileiro já havia pedido explicações aos Estados Unidos e indicado que poderia levar o caso a organismos internacionais, depois que o jornal O Globo divulgou em julho que o Brasil fazia parte de uma rede de 16 bases de espionagem operadas pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, que monitoraram milhões de chamadas telefônicas e e-mails.

Esse assunto foi discutido na visita do secretário de Estado americano, John Kerry, em agosto, após a qual o Brasil considerou que as explicações não eram satisfatórias.

O ministro brasileiro da Justiça viajou semana passada aos Estados Unidos para abordar o assunto e se reuniu com o vice-presidente Joe Biden.

Cardozo informou que o governo americano rejeitou uma proposta brasileira de negociar um acordo bilateral relativo às atividades de espionagem.

Uma coletiva de imprensa dos ministros da Justiça e das Relações Exteriores foi convocada para a tarde desta segunda-feira em Brasília.

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