24/11/2015

Com dificuldades na articulação na CLDF, Rollemberg recorre a antigo aliado de Roriz

O posto ainda não está definido, mas existem chances concretas de que Zé Flávio venha a eventualmente substituir Igor Tokarski na posição de secretário-adjunto de Relações Institucionais
José Flávio de Oliveira, um dos nomes fortes da Era Roriz, vai desembarcar no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). Zé Flávio, como é conhecido no meio político, foi secretário parlamentar da gestão de Joaquim Roriz e coordenava as relações do Buriti com a Câmara. Deixando o gabinete da deputada Liliane Roriz, filha do ex-governador, Zé Flávio comporá a equipe de coordenação política do socialista, com foco nas tratativas com os deputados distritais. 

O posto ainda não está definido, mas existem chances concretas de que Zé Flávio venha a eventualmente substituir Igor Tokarski na posição de secretário-adjunto de Relações Institucionais. Neste cenário, Tokarski poderá assumir a chefia do gabinete de Rollemberg. 

O nome de Zé Flávio não surgiu de para-quedas na gestão socialista. Durante a reforma administrativa do mês passado, o antigo braço legislativo de Joaquim Roriz foi cotado justamente para a área de Relações Institucionais.

Ao lado de Eri Varela e Valério Neves, Zé Flávio formava o núcleo duro do governo Roriz. “Tivemos uma longa conversa na semana passada. Eu tenho uma antiga amizade com o governador, dos tempos em que ele era deputado distrital e eu era secretário parlamentar. Quando ele soube que eu estava deixando o gabinete da deputada Liliane, me fez o convite para ajudar na articulação política do governo junto à Câmara”, contou Zé Flávio.

Mesmo sem a definição oficial do seu posto na gestão Rollemberg, Zé Flávio aceitou o convite. A movimentação do Buriti agitou o cenário político do DF, especialmente na Câmara. Questionado, o secretário-adjunto Igor Tokarski respondeu: “Desconheço. Sei que o Zé Flávio se reuniu com o governador na semana passada. Ele pode, sim, vir para o governo, mas não sei em que lugar”.

O desempenho de Tokarski passa por diferentes avaliações. No Buriti, rasgam-se elogios para os primeiros passos do jovem secretário. No entanto, parlamentares de oposição e situação criticam a falta de experiência do atual articulador do GDF. E este é, justamente o principal quesito no currículo de Zé Flávio. A despeito das duas perspectivas, Rollemberg não conseguiu emplacar um ritmo de votações confortável para a agenda de governo.

Para fazer a fila andar

O principal desafio do governo na Câmara é conseguir vazão aos projetos de seu interesse até o final do ano. Em seguida, o Buriti precisa estruturar uma base aliada confiável para 2016 e evitar o sufoco de 2015. Neste sentido, a experiência de Zé Flávio seria o diferencial para alcançar estes dois objetivos trabalhando no dia a dia junto com os deputados distritais. Desde o primeiro semestre, o governador sondava, por interlocutores a possibilidade de levá-lo para o GDF.

Governador diz que ainda não decidiu o cargo

Rodrigo Rollemberg, confirmou o convite de Zé Flávio, na noite de ontem, por intermédio da assessoria de imprensa. O governador comunicou que a escolha foi pessoal e não passou por indicação de qualquer deputado distrital. O posto de atuação do ex-secretário parlamentar de Roriz ainda está sendo estudado.

A chegada de Zé Flávio possui um simbolismo relevante no tabuleiro político. O antigo secretário de Relações Institucionais, Marcos Dantas, atualmente à frente da pasta da Mobilidade e alas do PSB não escondem reservas em relação ao rorizismo. 

Sem consulta

A presidente da Câmara, deputada Celina Leão (PDT) criticou a maneira tímida como o governador se posicionou. Celina declarou que não foi consultada pelo governador. “Se tivesse sido consultada, indicaria o Zé Flávio, porque é alguém super competente é muito correto. Agora, estava na hora do governador colocar a cara de fora e dizer qual é a posição dele. É um jogo mediocre. O caro do outro lado da rua deveria assumir e dizer quem é o pai da criança”, alfinetou.

Celina revelou que, quando soube que Zé Flávio estava deixando o gabinete anterior, também o convidou para trabalhar com ela. A presidente da Câmara elogiou o desempenho de Igor Tokarski nas tratativas entre Executivo e Legislativo, reforçando que ambos pertencem a mesma geração política.

Nos tempos da varanda

1 - José Flávio de Oliveira sempre foi um dos integrantes da seleta “turma da varanda”, constituída pelos interlocutores mais próximos do ex-governador Joaquim Roriz.

2 - A varanda, claro, é um espaço privilegiado da mansão do Park Way em que o ex-governador mora há anos. Acompanha toda a frente da casa, diante da enorme sala de estar em que dona Weslian traz pão de queijo quentinho a pedido do marido, sempre que a conversa se estende. É também dessa sala que se passa ao pequeno escritório de Roriz, que tem na parede quadro com os resultados de todas as eleições ganhas pelo ex-governador. 

3 - A turma da varanda não se reunia para comer pão de queijo, mas para trocar ideias a respeito da administração e, em especial, da política brasiliense — estivesse Roriz no governo ou não. 

4 - É evidente que a turma não se reunia apenas na varanda. Seus integrantes, como Valério Neves, hoje secretário geral da Câmara Legislativa, também podiam ser vistos no Palácio do Buriti ou na residência oficial de Águas Claras. Mas era na varanda que ocorriam as conversas mais descontraídas, nem sempre com um objetivo definido.

5 - A maior parte dos integrantes da turma só opera nos bastidores ou no âmbito partidário. Valério Neves, por exemplo, presidiu o PSC, quando controlado por Roriz. José Flávio foi tesoureiro de campanha. Nenhum deles disputou eleições ou ocupou secretarias.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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