15/01/2016

Por que os partidos pequenos não crescem no Brasil

Por Francisco Lima Jr.

Aquela velha máxima de que uma mentira contada muitos vezes acaba virando verdade, pelo menos por algum tempo, acontece no Brasil com relação aos partidos políticos quando parte da imprensa, por má fé, prestando um (de)serviço a alguém ou por falta de conhecimento, e com a ajuda ou conivência de grande parte da classe política, sustenta a ideia de que no Brasil temos partidos demais e ainda afirmam que nos EUA, a maior democracia do planeta, gostem ou não, só teriam dois partidos.

Além de uma grande mentira, pois lá existem mais de 70, enquanto aqui pouco mais de 30. A DIFERENÇA é que os partidos no Brasil, depois da redemocratização, foram perdendo os seus líderes que lhes conduziam e orientavam aos eleitores nos bons e maus momentos nacionais, como tantas vezes fez o velho PSD de JK, Ulysses Guimarães, Amaral Peixoto e tantos outros, para ter hoje apenas “donos”. Assim, as suas sedes deixaram de ser pontos de debates dos problemas locais e nacionais, virando um “negócio da China” ter partido político no Brasil.

As alianças que garantem a governabilidade em qualquer democracia, aqui foram substituídas por coalizões, dando origem à expressão governo de coalizão, modelo muito combatido pelo PT quando oposição e que talvez por isso tenha substituído pelo modelo atual de governo de cooptação, fazendo surgir o que conhecemos como “a base aliada”, em seu entorno e pelos regalos oferecidos em forma de ministérios e estatais como a Petrobras, por exemplo. Uma espécie cheque em branco para manter-se no poder.

Claro que nem todos conseguem ser agraciados com tais regalos, ou até mesmo fingem não cobiçá-los, para poder sustentar um velho e vazio discurso “mudancista” e poder, mesmo pequeno, continuar recebendo o fundo partidário e tendo tempo no horário eleitoral gratuito (que de gratuito não tem nada), mas que lhe garanta alianças, umas até compreensíveis e honestas de propósitos, outras não. Por exemplo, no ultimo dia 13 de janeiro, foram exibidos os “foguetinhos” (programas de alguns segundos nos intervalos da programação normal do veículo) do PSol local.

Tirando a ex-secretária de saúde do DF e ex-deputada Maninha, cobrando do atual governo o retorno do programa Saúde em Casa, por ela implantado, o resto lembrava mais o partido comunista cubano, ou similar. Toninho, pregando mudanças sem indicar quais e muito menos como deveriam acontecer, o jornalista Chico Sant’Anna, comprovadamente conhecedor do tema mobilidade urbana cobrando do governo a promessa não cumprida do metrô da asa norte, e outros menos conhecidos defendo bandeiras distintas e distribuídas entre eles dando a sensação que estavam ali apenas para “cumprir tabela” e não perder o horário eleitoral “gratuito”. Estava ao meu lado, por acaso me visitando, um amigo jornalista que via aquilo e me perguntava “cara eles não mudam mesmo o discurso, não inovam em nada, parece coisa velha. Eles são obrigados e fazer esses programas mesmo assim para não sofrer alguma punição???”.

E ele me alertou sobre fala do Chico Sant’Anna sobre o metrô, “será que esse cara não sabe que esses dias o ministro Kassab, das Cidades, assinou um convênio com o metrô do DF para elaboração desse projeto, de vários milhões, ou ele preferiu seguir os demais e criticar por criticar?” e arrematou revoltado: “por isso que esses partidos não crescem no Brasil, os caras preferem atirar pedra ao invés de lançar propostas!”.

Curioso, fiz contato com a assessoria do metrô questionando sobre tal convênio e recebi a resposta abaixo:

“Foi assinado um termo de compromisso para a liberação de recursos a fim de contratar empresa para realizar estudos de obras e projetos da Expansão do Metrô – Linha 2 – no Eixo Rodoviário Norte, até o Terminal Asa Norte, no valor de R$ 77 milhões; a previsão de licitação é ainda no primeiro semestre de 2015. Não temos previsão ainda de quando terão inícios as obras. Para mais informações, acesse nosso site: www.metro.df.gov.br

Depois disso, meu amigo, indignado, arrematou: “Tá vendo, custava pesquisar e dar a informação correta?”.

* Francisco Lima Jr.(48), Jornalista, Cientista Político pela UnB, Professor de Jornalismo nas Faculdades Icesp/DF, titular do www.blogdoprofessorchico.com.br, blogueiro colaborador na Agência Política Real, Colaborador no Programa Diário Brasil, na TV Gênesis e Presidente da Associação Brasiliense dos Blogueiros de Política (ABBP). fpaulalj@gmail.com

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