18/04/2016

Ações integradas de segurança serão mantidas até fim do processo de impeachment

Decisão foi comunicada durante entrevista coletiva, no Palácio do Buriti, para apresentar balanço dos três dias de manifestações na Esplanada dos Ministérios. Outros órgãos do governo também permanecerão envolvidos


Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (18), no Palácio do Buriti, o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, avaliou as manifestações contrárias e favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo (17) como as mais tranquilas desde que o processo foi iniciado na Câmara dos Deputados. O esquema montado pelas forças de segurança da capital da República envolveu 14.330 servidores — 11,5 mil policiais militares, 1,5 mil militares do Corpo de Bombeiros, mil policiais civis e 330 agentes do Departamento de Trânsito — em três dias de protestos, de 15 a 17 de abril.

O esquema, segundo o chefe do Executivo, foi montado com diversos órgãos do governo e com os movimentos sociais envolvidos. "Colocar a divisória [que separou os grupos com interesses distintos no gramado da Esplanada dos Ministérios] foi uma decisão acertada", disse Rollemberg. Aliadas à barreira física estavam as revistas a manifestantes dos dois lados e a ação pacífica e firme dos agentes de segurança envolvidos. Durante a coletiva foi informado que ações integradas de órgãos locais serão mantidas até o fim do processo de impeachment.

A divisória e as cercas estão sendo retiradas nesta segunda-feira (18) pela empresa contratada e por 30 detentos da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso e serão remontadas quando houver manifestações semelhantes, visto que o processo de impedimento da presidente segue para o Senado Federal. "É uma maneira de garantir a livre manifestação dos dois lados de forma segura", afirmou Rollemberg. Na sexta-feira (15), havia 200 manifestantes em frente ao Congresso Nacional. No sábado, foram 2,4 mil; no domingo, 79 mil pessoas.

Com os movimentos sociais, o governo de Brasília estipulou dois pontos próximo à Esplanada para que os manifestantes permanecessem acampados durante a semana que antecedeu a votação: Parque da Cidade (para os favoráveis ao impedimento) e estacionamento do Ginásio Nilson Nelson (para os contrários).

Lixo
O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) mobilizou 350 garis — 200 ontem e 150 na manhã de hoje —, que recolheram 10 toneladas de resíduos na Esplanada dos Ministérios. A coleta teve início às 7 horas de domingo (17) e seguiu até a 1 hora desta segunda-feira (18). A ação foi retomada às 6 horas e concluída às 10h30.

Ocorrências
Não houve registro de casos de violência entre manifestantes na área da Esplanada dos Ministérios em nenhum dos três dias. Na madrugada de hoje (18), ocorreram duas brigas entre partidários de grupos contrários, na CLS 403 e na SQS 406.

No sábado (16), manifestantes dos dois grupos antagônicos entraram em confronto em frente ao Hotel Royal Tulip (Setor de Hotéis de Turismo Norte), devido à presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Saúde
Foram feitos 52 atendimentos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu): dois no sábado e 50 no domingo. Todos estavam relacionados a problemas simples, como desmaios, quedas de pressão ou pequenos acidentes.

Dos 50 atendimentos no domingo (17), quatro eram de policiais que apresentaram hipertensão e cefaleia. A maioria dos casos se tratava de desidratação e mal-estar. Todos foram acompanhados e liberados assim que houve melhora do quadro clínico.

Durante o domingo ocorreram seis remoções de pacientes da Esplanada para os hospitais da rede, sendo três ao Hospital Regional da Asa Norte e três ao Hospital de Base. As equipes foram desmobilizadas à 0h30 desta segunda-feira (18).

Ficaram disponíveis no período de três dias dois caminhões de atendimento a múltiplas vítimas, com capacidade para até 150 pessoas cada um, além de três ambulâncias do Samu — duas de suporte básico e uma de suporte avançado. Cerca de 4 mil servidores da rede prestaram serviço ou ficaram em alerta para caso de convocação de emergência, além de 90 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

Transporte
No domingo, a Secretaria de Mobilidade acrescentou 150 ônibus, que circularam até a 1 hora de segunda-feira. As estações de metrô permaneceram fechadas. Os metroviários haviam decidido na sexta-feira (16) suspender as atividades em virtude das manifestações na Esplanada dos Ministérios. Apesar de o Tribunal Regional do Trabalho considerar a paralisação abusiva, a direção da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) não garantia o cumprimento da decisão pela categoria e decidiu fechar as estações.

Participaram da coletiva de imprensa a secretária da Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar; os secretários de Mobilidade, Marcos Dantas; e o de Saúde, Humberto Fonseca; o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio; o chefe da Casa Militar, coronel Cláudio Ribas; o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba; os comandantes-gerais da Polícia Militar, coronel Marcos Antônio Nunes de Oliveira; e do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Hamilton Santos Esteves Junior; o diretor-geral do Metrô-DF, Marcelo Dourado; o diretor-geral do Departamento de Trânsito do DF, Jayme Amorim; a diretora-geral do Serviço de Limpeza Urbana, Kátia Campos; e o diretor-geral do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), Léo Carlos Cruz.

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