11/11/2016

Maioria no eleitorado, mulheres não têm voz na política

Apesar de alguns avanços há pouca participação feminina. Representação nos cargos eletivos não chega aos 15% em Planaltina (GO)

Nos últimos 47 anos, somente dez mulheres ocuparam o cargo de vereadora em Planaltina de Goiás (GO), cidade localizada no Entorno de Brasília. O município, com mais de 80 mil habitantes, reflete a estatística do Superior Tribunal Eleitoral (TSE) onde somente 13% dos cargos eletivos são exercidos por elas. Na cidade, apenas uma mulher legisla entre os 17 parlamentares da Câmara Municipal. A professora Stella Mariz (PSC) foi eleita após a segunda tentativa e ficou entre os cinco candidatos mais bem votados nas últimas eleições. Para ela, concorrer ao cargo em um espaço dominado pelos homens foi um desafio, o que a fez abrir mão dos afazeres domésticos, de mãe e de esposa. “Eu abri mão de tudo isso para concorrer de igual para igual com os homens”, lembra.

Stella Mariz é a única mulher entre os 17 vereadores da cidade

Segundo o TSE, as mulheres compõem 52% dos votantes. Stella conta que apesar do quantitativo de eleitoras ela encontrou dificuldade em conquistar o voto feminino. “Se as mulheres são a maioria porque não usam essa força para dar voz a representatividade feminina? ”, questiona.

Para a cientista política Rayssa Moura, esse fenômeno ocorre porque a cultura patriarcal imposta pela sociedade ainda remete à ideia de que a mulher nasceu para trabalhos domésticos mais simples, e não para tomar decisões ou representar alguém. “É comum vermos mulheres com esse pensamento, o que faz com que elas não confiem umas nas outras”, explica. “Falta interesse em participar da vida pública como também falta confiança e união desse gênero que por tanto tempo luta por liberdade”, afirma.

Incentivo que não se reflete nas urnas

Em 2016, com as eleições municipais, os partidos políticos devem utilizar entre 5% e 15% do fundo partidário para a aplicação nas campanhas das candidatas, conforme previsto na Lei 13.165/2015. Além disso, a Justiça Eleitoral determina que 30% das vagas para a candidatura sejam preenchidas por mulheres.

Rayssa Moura diz que a iniciativa das cotas aumentou o número de mulheres interessadas na política, mas que essa reserva de vagas não traz resultado nas urnas. Outro entrave é o fundo partidário, que até hoje é pouco. “Além disso, o perfil das mulheres que se candidatam é de dupla jornada de trabalho, e que tem ainda que lutar por um equilíbrio nos investimentos destinados à campanha”, completa.

A vereadora Stella Mariz não disputará as eleições este ano, mas torce para que o resultado seja justo e traga igualdade entre os gêneros. “O homem e a mulher têm a sua função na sociedade e o Legislativo é o espaço de casar todas as funções para o bem-estar da comunidade”, afirma.

Em Planaltina de Goiás (GO), o Cartório Eleitoral não recebeu nenhum registro de candidatura até o momento. Os diretórios municipais têm até dia 15 de agosto para entregar o resultado das convenções com o número final de participantes definido.

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