“Ainda Estou Aqui” e o retrovisor: não existe conceito relativo sobre democracia

“Ainda Estou Aqui” e o retrovisor: não existe conceito relativo sobre democracia

março 5, 2025 0 Por editor

Por Luciano Lima

O Oscar 2025 foi assistido por milhões de brasileiros e chegou a paralisar o carnaval em vários cantos do país. Algo realmente nunca antes visto. E foi uma imensa mistura de sentimentos. A conquista da produção brasileira “Ainda Estou Aqui”, da estatueta de Melhor Filme Internacional, se misturou à alegria da festa popular mais celebrada em nosso país.

A expectativa da premiação fez até com que a polarização política fosse esquecida por algumas horas. A esmagadora maioria dos brasileiros, seja de esquerda ou de direita, estava torcendo pela vitória histórica do cinema nacional. Afinal de contas batemos na trave algumas vezes, principalmente com os filmes “O Pagador de Promessas” (1963) e “Central do Brasil” (1999) e a animação “O Menino e o Mundo” (2016).

Mas passada a ressaca da vitória, qual o aprendizado que tamanha conquista pode deixar para as artes e também para a política brasileira? Além do óbvio, que é o reconhecimento e o olhar diferenciado com que a indústria cinematográfica do mundo inteiro vai ter sobre o que é produzido em nosso país, o filme dirigido por Walter Salles oferece uma profunda reflexão sobre a história do Brasil, protagonizada pelo período da ditadura militar (1964 a 1985), até os dias atuais, onde temos um país tomado por ódio, vingança, extremismo político, desrespeito pela Constituição Federal, por quem deveria protegê-la, e ataques à democracia e à liberdade de expressão.

O recado da vitória do filme “Ainda Estou Aqui” não pode servir apenas para colocar o dedo nas feridas abertas pelo passado, mas que fique de aprendizado para aqueles que tentam cometer os mesmos erros no presente e assim condenar o futuro. Ou seja, o retrovisor não pode ensinar conceitos relativos sobre democracia.

Que os políticos e os partidos de esquerda lembrem que não existe ditadura do bem. Que lembrem aos seus líderes, apaixonados por ditaduras de esquerda mundo a fora, que a hipocrisia e a mentira têm prazo de validade.

Encerro lembrando que democracia é como andar de bicicleta. A gente toma uns tombos, mas aprende a se equilibrar. Ninguém compra uma bicicleta para cair a vida inteira. Ou seja, o retrovisor deve servir para impedir qualquer projeto de poder autoritário, dissimulado por um discurso democrático.

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista

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