Prestes a ser condenada há 14 anos de prisão, a cabeleireira Débora está pagando o preço de suas escolhas
março 23, 2025Por Luciano Lima
A cabeleireira Débora Rodrigues Santos prestes a ser condenada, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), há 14 anos por ter pichado a estátua “A Justiça” que fica em frente à Corte, que é guardiã da Constituição Federal. Ela escreveu com batom “Perdeu, Mané”.
“Perdeu, Mané” foi uma referência a uma resposta dada a um manifestante bolsonarista pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso, hoje presidente da Corte, durante uma agenda em Nova York, em novembro de 2022.
Mas Débora fez escolhas erradas e provavelmente terá muito tempo para pensar no seu “pecado”. E quais foram os erros cometidos pela cabeleireira?
Débora, seu erro foi não ter participado do esquema que arrecadava propina para a Campanha eleitoral do PT de 2002.

Débora, seu erro foi não ter participado do Mensalão, esquema de compra de votos comandado pelo governo do PT, quando deputados eram pagos com dinheiro público, desviado com a ajuda do Delúbio Soares e do operador Marcos Valério.

Débora, se erro foi não ter participado do esquema, organizado por integrantes do PT, que tentava negociar um falso dossiê que ligava José Serra e Geraldo Alckmin – então candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência, respectivamente – ao escândalo dos sanguessugas.

Débora, seu erro foi não ter participado do desvio de recursos da Petrobras, o Petrolão, o maior escândalo de corrupção do país e um dos maiores do mundo.

Débora, seu erro foi não ter participado das pedaladas fiscais (manobras contábeis) praticadas pela presidente Dilma Rousseff. Você poderia ter ganho um cargo no Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) junto com a Dilma.

Débora, você errou em não participar, em 2016, do protesto em represália à decisão do STF de que aborto nos três primeiros meses de gestação não é crime.

Débora, tenho quase certeza que se você tivesse no “comércio de farinha”, você teria um tratamento mais humano. Agora, pichar com batom a estátua do STF é realmente um crime hediondo
Informo que este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é apenas mera coincidência.
*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista




Infelizmente para a senhora Débora, seu erro não foi só “dano ao Patrimônio Público” cuja penalidade é de 3 anos de prisão mas em regime aberto. Os 14 anos de prisão foram a somatória de outros crimes por ela praticado no fatídico 8/Janeiro/2023.
Infelizmente, dada à LAVAGEM CEREBRAL praticada pelo Bolsonaro, sua FAMILÍCIA e ASSECLAS apoiadores, além de certas correntes de pastores, mídia fake news e mesmo a grande imprensa, a senhora Débora não aceitou a proposta de ficar dois anos sem mídias sociais, fazer um curso sobre democracia e multa de 5 mil reais que no caso dela teria dispensa de pagar.
Infelizmente a senhora Débora não pensou na responsabilidade de ser mãe saindo de sua casa para acampamentos de golpistas à frente de quarteis; não pensou em seus filhos quando partiu pra cometer os desatinos de 8/Janeiro/23; não pensou nos seus filhos quando REJEITOU a proposta aceita pela maioria dos que foram detidos no dia 09/Janeiro/2023.
Quanto as demais críticas tecidas pelo articulista -que aliás nos premia com excelentes textos – resta-me registrar meu desacordo em relação às ridículas comparações realizadas.