Os 120 anos de Ezechias Paulo Heringer
abril 5, 2025Por Luciano Lima
Se o Brasil e, em especial, Brasília quiserem mesmo investir em educação ambiental e fazer com que as crianças e os jovens de “hoje” possam garantir a sobrevivência do meio ambiente “amanhã”, precisam corrigir um deslize imenso de décadas: reconhecer a importância do professor, topógrafo, engenheiro agrônomo e pesquisador Ezechias Paulo Heringer. Os nossos livros praticamente ignoram um dos pioneiros no estudo do Cerrado.
Neste sábado, 5 de abril, é celebrado o aniversário de 120 anos de Ezechias Heringer, o mineiro de Manhuaçu, Minas Gerais, que veio para Brasília em 1960, a convite do então presidente Juscelino Kubitschek, com sua esposa Barjout Mirray Heringer e os filhos Aziz, Quelvia, Ezechias Filho (Xará), Anajulia e Abigail. Aziz e Xará hoje já falecidos.

Além de dar nome ao Parque Ecológico do Guará, onde chegou a morar e começar seus estudos botânicos no Distrito Federal, Ezechias criou e foi o primeiro administrador do Parque Nacional de Brasília. Coordenou a Divisão de Recursos Naturais do DF, criando o Parque do Gama, a Estação Florestal Cabeça do Veado e os hortos de Taguatinga e Sobradinho.
Ezechias também criou a Reserva Biológica das Águas Emendadas e trabalhou incansavelmente pela criação da Estação Experimental de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) e da Reserva Ecológica do IBGE.
Dedicou-se a lecionar durante toda sua vida, integrando a primeira equipe do Colégio La Salle e os quadros iniciais da Universidade de Brasília, onde fundou o Departamento de Engenharia Agronômica e o Herbário do Instituto de Biologia
O professor Ezechias Heringer trabalhou pela construção de uma identidade científica para as espécies brasileiras e integra hoje a história da conservação nacional, tendo lutado para criação de parques, reservas e acervos que representam um legado para a pesquisa ecológica.

O professor, que faleceu em 1987, tem mais de uma centena de trabalhos científicos publicados no Brasil e no exterior. Dedicou-se também ao estudo científico dos biomas brasileiros. Se consideramos Brasília como um quadro, Ezechias deu uma cor: o VERDE.
Não tenho nenhuma dúvida de que o engenheiro agrônomo e ambientalista Ezechias Paulo Heringer foi tão importante para o Brasil, e para Brasília, quanto Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.
*Luciano Lima é historiador, jornalista, radialista e coordenador da rede social ‘Amigos do Parque do Guará’



