O governo sem brilho: a estrela que perdeu o encantamento

O governo sem brilho: a estrela que perdeu o encantamento

abril 19, 2025 0 Por editor

Por Ruy Conde

Era uma vez um governo que prometia reacender a esperança. Em 2022, parte expressiva do eleitorado enxergou em Luiz Inácio Lula da Silva a figura capaz de restaurar não só a democracia, mas também o senso de futuro num país dilacerado por crises sucessivas — sanitária, institucional, econômica e simbólica. Passados pouco mais de dois anos de mandato, o que se vê é um lento processo de desilusão. Acabou o encantamento.

O fenômeno não é absoluto, mas significativo: uma parcela dos que votaram em Lula já não se sente representada, mobilizada ou inspirada pelo governo. A chama que reacendeu o Planalto começa a parecer mais fraca — não por falta de oposição, mas por desgaste interno. Há uma deterioração silenciosa da imagem do próprio governo, marcada por ruídos entre ministros, lentidão na entrega de pautas prioritárias, crises mal administradas e uma comunicação oficial que parece incapaz de conectar-se com a pulsação da rua.

Fazendo um trocadilho inevitável, o que se vê é um governo do PT sem o brilho da estrela. O símbolo que um dia encarnou luta, carisma e transformação, hoje vacila em representar algo mais do que um partido preso às suas próprias disputas e contradições.

Há avanços? Sem dúvida. Mas eles têm sido abafados pela incapacidade de gerar narrativas positivas consistentes — e de sustentar um pacto emocional com a sociedade. Os escândalos antigos ainda assombram. Os aliados parecem mais ocupados em proteger nichos de poder do que em construir soluções coletivas. O diálogo com movimentos sociais, historicamente uma fortaleza do lulismo, parece mais protocolar do que vibrante.

A consequência dessa deterioração simbólica é profunda: um governo que perde o brilho também perde parte da sua capacidade de liderar pelo exemplo, de inspirar confiança, de mover corações e mentes. E em tempos de redes sociais, ausência de narrativa é quase sinônimo de derrota política.

O encanto não se recupera com slogans. Exige consistência, coragem e, acima de tudo, a humildade de ouvir quem já começa a se afastar — não por traição, mas por frustração. Se o governo quiser reconquistar o brilho da estrela, precisa reaprender a iluminar os caminhos da maioria. E isso começa com verdade, entrega e visão de futuro.

Fonte: Vero Notícias

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