De superministro da ditadura a conselheiro de Lula, Delfim Netto morre aos 96 anos

De superministro da ditadura a conselheiro de Lula, Delfim Netto morre aos 96 anos

agosto 12, 2024 0 Por editor

O ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento Antônio Delfim Netto morreu na madrugada desta segunda-feira (12). Com 96 anos, ele estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, há uma semana. Delfim Netto foi ministro durante a ditadura militar, ficando conhecido por operar o “milagre econômico”, época de crescimento do Brasil, e continuou sendo influente no período democrático. 

Ainda não foi informada a causa da morte à imprensa. A assessoria informou apenas que foi “em decorrência de complicações no seu quadro de saúde”. O velório e enterro não serão abertos ao público. 

Delfim Netto era economista e professor universitário. Ele foi ministro nas décadas de 60, 70 e 80 e professor da Faculdade de Economia da USP (Universidade de São Paulo). Ele também foi ministro do planejamento, da agricultura e embaixador do Brasil na França. 

Depois do fim do regime militar, Delfim Netto foi deputado federal por cinco mandatos consecutivos e era consultado constantemente por governantes interessados em seus conselhos sobre economia. Ele foi filiado ao PMDB, o atual MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e, por último, ao PP (Partido Progressista). 

Lula e Delfim

Depois de décadas em campos opostos, Delfim na direita e Lula na esquerda, os dois se aproximaram definitivamente na campanha de 2002, quando o ex-ministro declarou voto no petista no 2º turno. Com Lula eleito, Delfim tornou-se interlocutor privilegiado do presidente, apoiando a política econômica do governo e chegando a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Assim como o ex-presidente Lula, Delfim também foi alvo da Lava Jato. O economista foi acusado por procuradores da República de receber propina durante a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Ele rejeita a acusação e diz que recebeu honorários para dar consultoria na criação do consórcio que venceu o leilão da usina. “Recebi R$ 3 milhões como honorários, em parcelas e de várias fontes. Tudo declarado”, disse o economista à IstoÉ Dinheiro.

A admiração por Lula, no entanto, não se repetiu com a sucessora Dilma Rousseff, de quem divergiu na condução da economia. Ele destaca, porém, que a presidente eleita em 2010, reeleita em 2014 e que sofreu impeachment em 2016, não “errou sozinha”.

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