Cigarros eletrônicos: uma “bomba relógio” que Senado vai começar a analisar
setembro 20, 2024Por Luciano Lima
O projeto de lei que regulamenta o consumo e o comércio de cigarros eletrônicos no Brasil deve ser apreciado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) logo após as eleições municipais deste ano.
Também chamados de vapes, atualmente esses produtos são vendidos ilegalmente no Brasil e são consumidos por milhões de pessoas. A proposta é cercada de controvérsias: uma das preocupações é o consumo precoce dos jovens, principais usuários do produto.

Entidades de saúde condenam os “vapes”
O aroma, o sabor e o formato dos cigarros eletrônicos podem até ser diferentes dos convencionais, mas os riscos à saúde são os mesmos. Ainda que esteja disfarçado de algo recreativo, o cigarro eletrônico também é derivado do tabaco e, por isso, causa a inalação de monóxido de carbono, alcatrão e tantas outras substâncias prejudiciais ao organismo. Além disso, pode conter nicotina, uma droga que causa vício e morte, dependendo do fabricante.
Os principais riscos do consumo do cigarro eletrônico são o surgimento de câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares, como infarto, morte súbita e hipertensão arterial. Há, ainda, a possibilidade de contrair a doença pulmonar chamada Evali, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), os principais sintomas são tosse, dor torácica e dispneia, além de dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, febre, calafrios e perda de peso.
Os cigarros eletrônicos foram popularizados com a falsa prerrogativa de que são uma alternativa para a interrupção do uso dos convencionais.
Senadores contra e a favor
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), autora do projeto, disse que regulamentação permitirá um melhor controle do comércio, inclusive com o combate às vendas ilegais, e viabilizará uma melhor proteção dos potenciais consumidores, especialmente crianças e adolescentes.
Para os senadores que são contra a regulamentação, como Zenaide Maia (PSD-RN) e Eduardo Girão (Novo-CE), a liberação do produto é um risco à saúde pública e levará a um consumo ainda maior entre os jovens. Isso poderia ampliar o número de casos de câncer e, como consequência, os gastos do Sistema Único de Saúde – SUS.

OMS contra os Cigarros Eletrônicos
Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam para o risco de que os vapes induzam os jovens a se iniciar no tabagismo cada vez mais cedo.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que “os cigarros eletrônicos são comercializados para pessoas muito jovens para torná-los dependentes da nicotina”.
Etelvino Trindade, vice-presidente da região Centro-Oeste da Associação Médica Brasileira (AMB), também alerta para os riscos desse consumo. Segundo ele, “substâncias são adicionadas ao cigarro eletrônico para levar à dependência química, da mesma forma como ocorre com o cigarro tradicional”.



