Eleições Municipais 2024: PL é um partido forte que precisa de um divã

Eleições Municipais 2024: PL é um partido forte que precisa de um divã

outubro 28, 2024 0 Por editor

Por Luciano Lima

Se eu fosse um aluno de graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado em Ciências Políticas, o Partido Liberal (PL) seria um maravilhoso “case”. A diversidade de análises e cenários mostram um partido à beira de um ataque de nervos e que precisa entender o seu tamanho.

Friamente, os números das eleições municipais 2024 mostram que o PL cresceu. E cresceu muito! Saiu de 344 prefeituras, em 2020, para as 516 conquistadas, em 2024. Em números exatos de eleitores que depositaram a confiança no PL, em todo o Brasil, o partido do ex-presidente Bolsonaro é a terceira força do país com 7.882.825 votos.

Outro fator que não pode deixar de ser analisado é que o PL disputou o segundo turno em várias cidades importantes de forma inesperada, ou seja, foram consideradas ascensões surpresas. Fortaleza e Goiânia são dois bons exemplos. Na capital de Goiás, muita gente não sabia quem era o candidato Fred Rodrigues há poucos meses da eleição.

Do ponto de vista político e de bastidores, não pode ser ignorado que o PL é um partido que vem sendo “minado” e “perseguido” por vários setores da justiça e da imprensa brasileira. Aliás, há um enorme preconceito programado dentro de várias redações dos principais veículos de comunicação do país, que infelizmente foram transformados em arquibancadas de torcida organizada pró-esquerda.

Bolsonaro e PL: uma união que precisa aparar arestas

O PL precisa fazer urgentemente uma profunda reflexão e análise do processo eleitoral que se findou neste último domingo, 27 de outubro. É urgente! É preciso ir para o divã. Um partido do tamanho do PL não pode funcionar com “repúblicas independentes” nos Estados. Erros foram cometidos e é necessário repensar estratégias e comportamentos. É fundamental ir além do “glamour” das redes sociais, que muitas vezes “embebeda” e tira do mundo real. A balança do fator Bolsonaro tem que ser bem avaliada.

Bolsonaro: apesar da força política, a luz amarela acendeu

O futuro de Bolsonaro é uma incógnita. Ninguém sabe se ele vai conseguir se livrar da inelegibilidade. No entanto, foi infantil, e até covarde, ler algumas análises de que o ex-presidente Bolsonaro ficou enfraquecido com os resultados das urnas neste ano. Os números do PL desmentem qualquer prognóstico neste sentido. Bolsonaro sofre uma perseguição implacável e até por este motivo, seu comportamento mais acuado, principalmente no início do processo eleitoral, pode ter provocado reações e resultados que não refletiram a vontade e as expectativas do partido.

Por outro lado, Bolsonaro agiu com fita métrica no caso de São Paulo para não ter nenhum tipo de desgaste com o governador Tarcísio de Freitas (foto), que sempre foi um fiel escudeiro e nunca o abandonou. Além disso, o vice do prefeito eleito Ricardo Nunes (MDB), o ex-presidente da Ceagesp e Coronel da reserva Ricardo Mello Araújo (PL), teve a indicação com as digitais das mãos e dos pés do ex-presidente. Portanto, dizer que ele não saiu vitorioso de São Paulo é não entender nada de política.

O ex-presidente do Brasil também conseguiu ascender em várias capitais e grandes cidades nomes quase desconhecidos do eleitor. Alguns saíram vitoriosos e outros não. Mas sua capacidade de ajudar a lançar novas lideranças é indiscutível.

No entanto, é importante que Bolsonaro e o PL fiquem em estado de alerta. É inegável a força e influência política, apesar de todas as dificuldades. Mas o processo eleitoral deste ano mostrou claramente que a direita pode caminhar ao lado de Bolsonaro e não somente com Bolsonaro. O centro e a direita saíram maior que o capitão e o PL. Novas forças políticas surgiram, inclusive o próprio governador Tarcísio de Freitas, o presidente do PSD Gilberto Kassab, que mostra com suas movimentações a vontade de ascender a cargos majoritários mais importantes, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil – foto), experiente político que sabe como ninguém se movimentar nos bastidores.

A grande verdade é que o Bolsonaro “Pessoa Física” bateu um pouco de cabeça com o Bolsonaro “Pessoa Jurídica”.

Que comecem os jogos! Se não mudar a situação, pelo menos vai alterar a sua disposição.

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista

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