Lula vs Maduro: “Lucha Libre” ou apenas imprudência diplomática entre dois amigos?

Lula vs Maduro: “Lucha Libre” ou apenas imprudência diplomática entre dois amigos?

julho 25, 2024 0 Por editor

*Luciano Lima

Os supostos desentendimentos entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Venezuela, o ditador Nicolás Maduro, mais parecem uma esquete de grupo de comédia ou uma combinada “Lucha Libre”, famosa luta mexicana onde tudo é simulado. Seria então um jogo de cena ou apenas uma imprudência diplomática cometida por dois amigos? Vamos aos fatos!

Em comício realizado no dia 17 de julho, o ditador venezuelano Nicolás Maduro disse que o seu país poderia enfrentar um “banho de sangue” e uma “guerra civil” caso ele não ganhasse as eleições marcadas para o próximo dia 28 de julho. A fala teve repercussão internacional muito negativa. Na América Latina, Argentina, Uruguai, Paraguai, Costa Rica e Guatemala emitiram, no dia 19 de julho, uma declaração conjunta de repúdio às ameaças de Maduro.

E o Brasil, como ficou diante de todo o episódio? Um dia após o ditador da Venezuela falar sobre “Banho de Sangue”, Lula disse: “Por que eu vou querer brigar com a Venezuela? Por que eu vou querer com a Nicarágua? Por que eu vou querer a Argentina? Eles que elejam os presidentes que quiserem”. O próprio governo brasileiro tratou as ameaças de Maduro apenas como retórica por causa das pesquisas de opinião que mostravam o ditador atrás de Edmundo Gonzáles Urrutia, o seu principal adversário na disputa. E, é claro, a fala de Lula também não pegou bem.

No entanto, o presidente brasileiro teve um surto de bom senso e na última segunda-feira, 22 de julho, durante uma entrevista no Palácio do Planalto, para jornalistas de várias agências internacionais, Lula mudou de opinião, subiu o tom com o amigo venezuelano e soltou a seguinte pérola: “Eu fiquei assustado com a declaração do Maduro dizendo que sebele perder as eleições vai ter um banho de sangue. O Maduro precisa aprender, quando ganha, você fica; quando você perde, você vai embora”.

Maduro não demorou muito para responder Lula e devolveu com outra pérola: “Quem se assustou que tome um chá de camomila”. Para quem não conhece ou nunca tomou, o chá de camomila é um calmante natural que ajuda a relaxar e melhorar a qualidade do sono. Na política, o recado do presidente da Venezuela é muito simples: “Aceita que dói menos!”.

Mas as esquetes do Maduro não pararam por aí. Não satisfeito com a dica do “chá de camomila”, o ex-motorista de ônibus que foi catapultado à chefia da diplomacia venezuelana nos tempos do ditador Hugo Chávez mexeu em uma ferida brasileira que não está fácil de cicatrizar: a urna eletrônica.

O ditador chavista elogiou o sistema eleitoral da Venezuela e soltou uma pérola que nos deixou com a esperança de que realmente a briga entre Lula e Maduro não seja apenas um round de “lucha libre”. “Aqui temos 16 auditorias. Em que outra parte do mundo se faz isso? No Brasil, não auditam um único registro”, soltou Maduro. Por essa, ninguém esperava. No entanto, uma coisa é certa: tanto o sistema eleitoral brasileiro quanto o sistema eleitoral venezuelano não são usados por nenhum país de primeiro mundo do planeta. Aliás, por 99,9% dos países da terra. E que fique bem claro!

A única coisa nessa história toda que poderia realmente me causar um grande espanto, seria a vitória de Edmundo Gonzáles Urrutia em um sistema eleitoral que é completamente dominado pela ditadura de “carteira assinada” da Venezuela.

O famoso locutor do UFC Bruce Buffer tem uma jargão que arrepia até quem está por trás da telinha: “It’s Time!”. Que soe o gongo! Ou tirem as máscaras?

A editoria do Viver Política adverte: Se não mudar sua opinião, vai pelo menos alterar a sua disposição.

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista

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