7 de Setembro em Brasília: só faltou o povo!
setembro 8, 2024*Luciano Lima
O desfile militar do 7 de Setembro, em Brasília, é a principal cerimônia do calendário do Brasil, justamente por abrigar um dos principais acontecimentos da história do nosso país: a nossa independência.
Mas o 7 de setembro de 2024 na Esplanada dos Ministérios foi marcado por ausência muito significativa, e enganam-se todos aqueles que acham que foi a da primeira-dama, Janja da Silva, ou da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ou mesmo do presidente da Câmara, Arthur Lira. A ausência mais sentida foi a da população, que sempre costumava lotar os gramados da Praça dos Três Poderes para assistir o desfile dos blindados do Exército brasileiro, a apresentação da pirâmide humana do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília e as acrobacias aéreas da Esquadrilha da Fumaça.
Não me lembro como cidadão e nem como jornalista de um desfile da independência tão esvaziado. Talvez o de 2023…
Quais seriam os motivos para um desfile de 7 de setembro tão vazio? O ponto facultativo dado pelo Governo do Distrito Federal na sexta-feira, 6 de setembro; o forte calor e o clima extremamente seco em Brasília; ou as turbulências políticas envolvendo o governo Lula, o Congresso Nacional e o Superior Tribunal Federal (STF). Sejamos honestos, a “a maré não está para peixe”. A extrema polarização e as ameaças constantes à democracia e à liberdade de expressão estão deixando o povo desanimado.
Outro fator importante para o não comparecimento das pessoas no desfile, inclusive dos militantes de esquerda, foram as denúncias de assédio sexual que derrubaram o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Há uma guerra interna no governo causada pelo escândalo envolvendo Silvio Almeida. Para muitos militantes e integrantes do governo, o ex-ministro foi vítima de “fogo amigo”. Para outros, o governo Lula deveria ter abafado a situação e usado todas as estratégias que foram utilizadas, por exemplo, para esvaziar as denúncias contra o filho caçula do presidente Lula, Luís Cláudio, que foi acusado pela ex-namorada Natália Schincariol de violência doméstica.
Fato é que apesar dos esforços do governo e de alguns veículos de comunicação, alinhados com o Palácio do Planalto, em tentar mostrar que tinha “30 mil pessoas” (não tinha nem 10 mil) nas comemorações da Independência em Brasília, foi um dia de Esplanada dos Ministérios vazia e um sentimento de preocupação no coração de milhões de brasileiros com o momento delicado do nosso país, que aliás está sendo regado com muito ódio, sentimento de vingança e muita perseguição política.
Infelizmente, os bombeiros da política e da justiça brasileira estão tentando apagar os incêndios com álcool. A arrogância e o autoritarismo estão norteando os diálogos.
*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista



