Setembro Amarelo: João Filho curou sua dor distribuindo amor e música
setembro 14, 2024*Luciano Lima
Como comunicador, sempre costumo fazer grandes reflexões sobre o que escrevo e o que falo. Tentar passar coisas boas, sem esconder o “a vida como ela é”, é um desafio constante para quem tem responsabilidade e compromisso não só com a profissão, mas com aqueles que serão os alvos atingidos com o que se escreve e o que se fala.
O “Setembro Amarelo”, mês dedicado a prevenção ao suicídio, pode ser contado com várias histórias tristes, mas também com exemplos de superação e amor ao próximo. E é exatamente isso que vou fazer contanto um pouco da história do saxofonista brasiliense que ficou famoso em todo o Brasil, em 2013, por ter tocado em uma rua da capital do país com a lenda da música internacional Stevie Wonder
Depois de recuperar de uma forte depressão, que o fez sofrer com uma terrível dor da alma por mais de dois anos, o músico e bombeiro militar João Filho, de 54 anos, resolveu há 15 anos retribuir para pessoas que sofrem nos hospitais e para crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas, as bençãos de uma recuperação que ele mesmo confessa que pediu muito a Deus.
Sempre tenho a oportunidade e o privilégio de conversar com o João Filho e é impressionante a sua capacidade de entender a dor do próximo. Ele a usa música e suas experiências para falar sobre “a arte de viver”. Ele sempre fala que o “mal não dá trégua”, por isso é sempre importante fazer o bem, ter fé em Deus e aprender a se conhecer.
Fato é que a depressão é um desequilíbrio psíquico e que não basta somente fazer o tratamento com remédios. Quando há a quebra da harmonia de vida, é preciso preencher o vazio com o apoio dos amigos e da família, e tentar construir uma nova história que faça algum sentido em tempos onde o “TER” subjuga o “SER” de uma forma muita agressiva. E foi exatamente o que meu amigo querido João fez. Com muita música e diálogo, ele conseguiu trazer conforto, paz, amor, harmonia e a atenção para milhares de pessoas que tiveram a alegria da sua companhia.
João Filho mostra nas escolas que é possível curar com música e diálogo. E é por isso que volto a insistir de que a Educação salva, a música salva. É dever do Estado implantar definitivamente o ensino da Música nas escolas. A música é uma das poucas coisas que consegue ativar os dois lados do cérebro ao mesmo tempo.

O que o João Filho faz com seu saxofone nas escolas, dando atenção e melodias, é o que poder público já deveria estar fazendo. João mostra, na essência, que música é refrigério para o corpo e para a alma. Libera endorfina e dopamina, que geram sensação de felicidade e bem-estar, ou seja, remédio de graça e natural para o combate a depressão e a ansiedade.
Meu amigo querido João Filho, este texto não é um artigo, nem ensaio e nem matéria. É uma carta aberta em sua homenagem. Você me ajuda a crer que ainda podemos acreditar na humanidade. Não podemos sair de casa todos os dias e olharmos somente para o nosso próprio umbigo. Há milhares de pessoas sofrendo e, em muitos casos, precisando apenas um BOM DIA para acreditar na sua própria existência.
E para todos que sofrem ou têm amigos e familiares que sofrem com a dor da alma, vai um simples recado: vocês não estão sozinhos. Busque ajuda!
Valeu, João Filho! Que Deus continue abençoando e iluminando sua caminhada para que a “Arte Viver” continue transformando vidas.
*Luciano Lima é historiador, jornalista, radialista e também teve depressão
(Quer conhecer melhor o músico João Filho? Siga no Instagram @meiabocaband)




Luciano é de uma sensibilidade e um coração gigante , agradeço muito a Deus por ter o privilégio de chamar de amigo uma pessoa com esses atributos. Pessoa que se importa com o outro e tem um olhar atento para diversificadas frentes , independente de sua profissão que dá um up a mais p isso , porém ele sempre coloca a verdade dos fatos e trás a realidade p dentro das nossas reflexões com muita sabedoria.. viva a arte saudável e bem direcionada, que sempre seja um bálsamo pois é um remédio para diversas doenças.