Liberação da venda de bebidas alcoólicas no “Eixão do Lazer”: por que GDF e Câmara Legislativa?
outubro 23, 2024*Luciano Lima
Considero quase incompreensível a decisão do Governo do Distrito Federal e da Câmara Legislativa de aprovarem, com tanta rapidez, a venda de bebidas alcoólicas no “Eixão do Lazer”, um espaço que reúne famílias, aos domingos, há mais de 32 anos exatamente por ser um lugar seguro. Por que?
É fato que o uso do álcool em excesso está relacionado a uma série de problemas sociais, como acidentes automobilísticos, dependência química, desemprego e violência. O uso do álcool é um fator de risco associado a violência sexual e a violência doméstica. Por que incentivar algo que pode fugir ao controle e trazer imensas dores de cabeça?
O aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes é outro ponto preocupante. O álcool influencia diretamente na qualidade de vida, com graves impactos sociais e econômicos. Por que incentivar o consumo de álcool em um ambiente que recebe tantas crianças e adolescentes?
Diante de tantos malefícios causados pelo consumo excessivo de álcool, quem deve pagar “essa conta”? O consumidor, que deve assumir a responsabilidade pelos seus atos? A sociedade, que sofre as consequências do aumento dos níveis de violência? O Estado, incompetente nas políticas públicas de combate ao consumo excessivo e na atenção às pessoas com dependência química?
A resposta não é tão simples como rachar a conta de um bar. Mas é impossível aceitar que o poder público não trabalhe para minimizar os efeitos e os transtornos causados pelo álcool. Pior: facilite a liberação da venda em uma imensa via pública, que democraticamente é tomada por milhares de pessoas aos domingos.
É importante ressaltar que estudos indicam que bebidas alcoólicas também são uma porta de entrada para as demais drogas e é hoje considerado um problema de saúde pública.
Em setembro deste ano, em uma entrevista a veículo de comunicação de Brasília, o presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF), Fauzi Nacfur Júnior, disse que a venda de bebida alcoólica não seria permitida no Eixão do Lazer. Por que a mudança?
Fato é que o poder público abre um precedente perigoso. A venda será permitida na porta das escolas? Nos terminais rodoviários? Na porta de prédios públicos? Na “Rua do Lazer do Guará” e de outras cidades? Será que as comunidades da Asa Sul e da Asa Norte, democraticamente, foram ouvidas?
Em uma sociedade que não costuma respeitar limites e regras de boa convivência, espero sinceramente que o “Eixão do Lazer” não se transforme em passarela do álcool e de muitas confusões.
*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista



