Comer ultraprocessados aumenta em 58% o risco de depressão, aponta estudo da USP
março 26, 2025Por Luciano Lima
A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo, afetando mais de 300 milhões de pessoas ao longo da vida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desse cenário, um estudo conduzido por pesquisadoras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados pode aumentar em até 58% o risco de desenvolver depressão persistente, caracterizada por episódios recorrentes ou contínuos por anos.
A pesquisa, publicada no Journal of Academy of Nutrition and Dietetics, foi realizada a partir de dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), um levantamento multicêntrico que acompanha a saúde de servidores públicos de Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória desde 2008.
Os participantes foram divididos em grupos com base na porcentagem de calorias diárias provenientes de alimentos ultraprocessados. Um grupo consumia entre 0% e 19%, enquanto o outro variava entre 34% e 72%.
Causa e efeito
De acordo com o estudo, uma das razões pelas quais esses alimentos impactam tanto a saúde mental é a ausência de nutrientes essenciais. “Se uma pessoa consome mais de 70% de sua energia diária proveniente de produtos ultraprocessados, ela acaba deixando de ingerir alimentos ricos em fibras, antioxidantes e vitaminas, que são fundamentais para o funcionamento do cérebro.
Além disso, a presença de aditivos artificiais e gorduras saturadas pode desencadear processos inflamatórios, um fator associado ao desenvolvimento da depressão”, alerta a pesquisadora.
Como reduzir os riscos
A boa notícia é que pequenas mudanças na alimentação podem resultar em um impacto significativo. Uma simulação mostrou que substituir apenas 5% do consumo calórico diário de ultraprocessados por alimentos minimamente processados já pode reduzir o risco de depressão em 6%. E ao diminuir 20% desses produtos, optando por alimentos naturais, é possível reduzir para 22% a probabilidade.
Alimentos ultraprocessados
São considerados alimentos ultraprocessados aqueles que passam por vários processos industriais e contêm muitos aditivos, como corantes, aromatizantes, emulsificantes, espessantes, gordura trans, açúcar e sal. Ou seja, em geral, têm pouco ou nenhum alimento inteiro e longos prazos de validade.
Exemplos de alimentos ultra processados: Biscoitos, bolachas, bolos, tortas, pães e outros panificados embalados; refrigerantes, sucos, achocolatados e bebidas energéticas; salgadinhos de pacote; macarrão instantâneo, sopas e temperos instantâneos; iogurtes e bebidas lácteas adoçadas; embutidos, como salsichas e nuggets; refeições congeladas, como pizzas, hambúrgueres e frango empanado; sobremesas industrializadas, como sorvetes com cobertura; pratos pré-preparados e fast-food; e Misturas para bolo.
Fonte: USP



