José Roberto Arruda e a sua triste epifania

José Roberto Arruda e a sua triste epifania

abril 10, 2025 3 Por editor

Por Luciano Lima

Sempre recebo de amigos, familiares e até mesmo de desconhecidos bons textos, poemas, artigos, ensaios e matérias jornalísticas. E tenho o costume de guardá-las.

Coincidência ou não, hoje mexendo nos meus arquivos encontrei um texto que me remeteu ao que meu amigo e ex-governador José Roberto Arruda vem passando nos últimos anos. Não lembro quem me mandou e não sei quem é o autor, mas o poema é quase uma epifania da vida do Arruda.

O poema diz o seguinte: “Tenho morrido muitas vezes. Depois, respiro fundo, lavo o rosto, sigo em frente. Não é difícil morrer, difícil é renascer, fingir-se de sol, cegar a lua, beber o mar. Detestável seria a covardia dos que me matam. Eu sigo renascendo, eles seguem covardes”.

Passado o momento poético, até porque a vida não é feita de poesia, mas de erros, acertos, escolhas, perguntas, tentativas, incertezas, sigo tentando compreender a difícil e quase inédita situação do ex-governador José Roberto Arruda. É um caso que mereceria um profundo debate nos cursos de Direito e Ciências Políticas de qualquer universidade brasileira, tamanho o descompasso entre a justiça e a realidade.

Como a justiça explica que provas anuladas na esfera penal possam ser usadas para condenação na ação cívil?

A condenação de José Roberto Arruda se deu em 2014 no Tribunal de Justiça do DF e, só agora, 11 anos depois, o recurso foi julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ou seja, se Arruda não tivesse recorrido da decisão, os 8 anos de inelegibilidade já teriam passado. Será que o erro do ex-governador foi ter exercido o seu legítimo direito de defesa?

Nas minhas contas, já que só agora os 8 anos começam a contar, somados aos 11 anos já passados, dará 19 anos de inelegibilidade. É isso mesmo, Arnaldo?

E o mais grave. O fator que gerou o processo foi um dinheiro recebido pela ex-deputada Jaqueline Roriz, no governo de seu pai, o ex-governador, já falecido, Joaquim Domingos Roriz. Ou seja, muito antes do governo Arruda.

Todo o processo envolvendo o Arruda me faz descrer cada dia mais da justiça, que parece viver da convivência dos “covardes que vivem nas sombras”. E agora, José?

*Luciano Lima é historiador, jornalista, radialista e foi assessor do secretário de Obras, senador, deputado federal e governador José Roberto Arruda

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