Dia do Jornalista: infelizmente, o que temos para hoje é nada para comemorar

Dia do Jornalista: infelizmente, o que temos para hoje é nada para comemorar

abril 7, 2025 1 Por editor

Por Luciano Lima

A minha paixão pelo jornalismo surgiu ainda na pré-adolescência, no início dos anos 80, no Guará 2, vendendo jornais para o Seu Sebastião. Você lembra dos garotos que ficavam gritando na porta da sua casa nos finais de semana: “Olhaê o Correio…Correio Braziliense de hoje”? Pois é, eu fui um desses.

Meu querido Seu Sebastião, falecido em 2018, sempre me presenteava com um jornal ao fim de cada domingo de vendas. Eu era um dos melhores vendedores! Quando ganhava o jornal, corria para ler toda a parte esportiva. Não posso deixar de lembrar dos ensinamentos do meu tio Paulo: “se você quiser aprender a ler e escrever, leia os editoriais”.

Posso afirmar que o profissional de jornalismo que conheci quando adolescente é uma “espécie em extinção”. As redações infelizmente foram transformadas em arquibancadas de torcidas organizadas e a pressão pelo posicionamento político colocou na escuridão o bom jornalismo e afastou os bons profissionais, mesmo aqueles que tinham preferências políticas. A “velha guarda” virou freelancer.

Sinto falta das reportagens com mais fôlego e com tempo para apuração. Hoje, boa parte das redações foram transformadas em linhas de montagem com um exagero imenso de “Control C + Control V”. É só pegar o texto da assessoria e colocar umas aspas. Fica tudo certo!

Fato é que nos tempos atuais, assisto entristecido jornalistas e veículos de comunicação apoiando a mordaça que está sendo imposta pelos tribunais. E é desse jeitinho que nascem os regimes autoritários. Toda vez que o Estado achou que poderia ser o “guardião da verdade”, nós sabemos onde isso foi parar. A história deixou-nos inúmeros tristes relatos.

Estamos sendo obrigados a assitir, em tempo real, reportagens tiradas do ar, jornalistas perseguidos, revistas e livros sendo recolhidos e documentários proibidos de serem vistos. Sem falar na censura prévia a rodo que vem acontecendo nos últimos anos no Brasil, que segundo a ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode servir como “remédio ou veneno”.

Será que os instrumentos da democracia não são fortes o suficiente para proteger a própria democracia, e por isso é melhor dar mais poderes ao governo de plantão? Um pouquinho de autoritarismo instrumental não faz mal a ninguém? Pois é, existem jornalistas no Brasil defendendo estes absurdos.

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista

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