Apostas esportivas: se nada for feito, o futebol será destruído e o crime vai participar da “festa”
abril 16, 2025Por Luciano Lima
O que se passa na cabeça de um jogador de futebol, ídolo de um dos maiores clubes de futebol do planeta e que ganha quase R$ 2 milhões por mês, ao se meter em um esquema de fraudes em apostas esportivas? É burrice, ignorância ou a sensação de que o céu (no caso dele, o inferno) é o limite?
Não tem jeito! O caso do jogador Bruno Henrique, do Flamengo, é “batom na cueca”. O craque rubro-negro foi indiciado pela Polícia Federal por supostamente ter forçado um cartão amarelo e beneficiado apostadores em partida contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 2023. E ainda há suspeitas que o mesmo tenha acontecido em outros jogos.
O caso envolvendo os jogadores Bruno Henrique, do Flamengo, Luiz Henrique, ex-Botafogo, e Lucas Paquetá, do West Ham, da Inglaterra, é apenas o início de uma imensa “corda de caranguejo” que promete não ter fim. É um grão de areia de um submundo que ainda não submergiu.
E não tenho dúvida de que essas empresas de apostas vieram para destruir o esporte mundial, principalmente o futebol, e comprometer toda sociedade. E não adianta vir com a desculpa cafona de que essas empresas também são vítimas. Não são!
A beleza do futebol sempre esteve na sua imprevisibilidade. Mas, infelizmente, com o surgimento dessas bets, o resultado já pode estar definido antes mesmo da partida começar. A manipulação de resultados e comportamentos dentro de campo é uma realidade que não pode ser ignorada.
É não se pode esquecer que há também a suspeita de participação de árbitros de futebol nos esquemas de fraudes. E as suspeitas aumentam por causa de erros grosseiros que vêm acontecendo corriqueiramente em partidas no Brasil e em vários países da América do Sul.
É muito triste porque o problema vai muito além da ética esportiva. É também um crime que corrói a confiança de torcedores e patrocinadores, além de enfraquecer o esporte. Assim como paixão e desconfiança não cabem dentro de um relacionamento, também não cabem dentro do futebol ou de qualquer outro esporte.
E mais: não tenho nenhuma dúvida que, diante da fragilidade na fiscalização e da omissão das autoridades (in)competentes, as apostas esportivas serão um campo fértil para que organizações criminosas adentrem no mercado.
E, atenção, papai e mamãe: é importante ficarem atentos com a atratividade que empresas de apostas esportivas podem gerar nas crianças e adolescentes. O fenômeno pode ser comparado à preocupação com a indústria do tabaco, do álcool e das drogas.
*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista



