Bom dia (sexta)
maio 5, 2023Juros como política
Enquanto o Brasil discutia a votação do projeto de lei das ‘fake news’, o Banco Central decidiu manter a taxa de juros da economia em 13,75% ao ano. Nas outras reuniões do Comitê de Política Monetária, o barulho imediato foi maior até pela falta de um concorrente forte como o debate sobre a regulação das plataformas digitais. A justificativa do Copom é que o ambiente internacional segue adverso e por isso é preciso manter a economia amarrada a juros altos. A justificativa é capenga. O Brasil não vive pressão de consumo e a população não está gastando ao ponto de pressionar preços para uma escalada inflacionária ao ponto de mantermos a Selic tão alta. Resta a justificativa política. Com juros mais baixos, o governo pode facilitar o crescimento econômico com mais crédito a preço mais baixo em financiamentos, por exemplo. Do contrário, o resultado da economia é menor e o governo corre o risco de não entregar o que prometeu na campanha. Não deixa de ser um debate político que extrapola o estritamente econômico.
Privatização da Eletrobrás
O Advocacia-Geral da União deve entrar com pedido de revisão do processo de privatização da Eletrobrás. A privatização foi concluída no governo passado, mas há um ponto que pode justificar a Ação Direta de Inconstitucionalidade: a União detém 35% das ações da Companhia, mas tem apenas 10% de peso nas decisões.
Sob nova direção
Acabou a temporada de Ricardo Capelli a frente do Gabinete de Segurança Institucional. O ex-interventor na segurança pública do DF ficou à frente do GSI depois do vazamento de imagens que derrubou boa parte do gabinete, fez uma limpa e agora entregou o comando. O novo titular é o General Marcos Amaro. Ele tem 65 anos, é reformado do exército, foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras, já foi secretário de segurança presidencial e adjunto do próprio GSI. O nome de um militar pode causar surpresa depois de ter sido avaliado colocar um civil no comando do Gabinete. A ideia de manter militares sob comando de civis ganhou força depois dos atos golpistas de janeiro.
Abin também tem novo comando a caminho
O delegado, Luiz Fernando Corrêa, foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ele foi indicado pelo presidente Lula para comandar a Agência Brasileira de Inteligência. O nome segue para o plenário da casa para apreciação dos senadores. Corrêa foi diretor-geral da Polícia Federal entre 2007 e 2011. A ABIN não faz mais parte da estrutura do GSI.
Investigação X Depoimento
Mais um empresário prestou depoimento na CPI dos atos antidemocráticos da Câmara Legislativa. Adauto Lúcio de Mesquita é um dos suspeitos de financiar os movimentos que terminaram com tentativa de invasão dos prédios dos Três Poderes. Aos deputados, ele disse que fez doações (duas, no valor de R$ 100 e uma, de R$ 1.000) aos acampados junto ao Quartel General do Exército em Brasília. Mesquita negou ter contratado trio elétrico ou tendas para os manifestantes. Disse que foi à Esplanada no dia 8 de janeiro, mas garantiu que não participou de invasões. A investigação da Polícia Civil revelou o empresário do ramo atacadista em vídeos durante atos contra o processo eleitoral em que ele menciona que a Polícia Militar ajudava o movimento. O advogado de defesa de mesquita diz que a investigação provará que o cliente não cometeu qualquer ato ilegal.



